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10 anos de vozes dissonantes

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 24.07.17

 

  

Nestes 10 anos de vozes dissonantes aprendi a observar situações e acontecimentos com outro olhar. Para isso foi fundamental o feedback que fui recebendo para perceber os meus próprios preconceitos culturais e identificar a minha tendência para o equívoco empatia vs o que eu faria se estivesse no seu lugar. :)

 

Assumo alguns possíveis erros de interpretação de acontecimentos, sobretudo os que se referem à política nacional. No entanto, verifico que o meu cepticismo estava correcto. É essa a tonalidade geral destas vozes dissonantes, seja na política nacional seja na política europeia.

 

A tragédia recente de Pedrógão Grande deixou-me completamente desiludida, no sentido de não haver lugar para quaisquer atenuantes ou justificações. 

Confirmou-se aquilo de que sempre suspeitei. A negligência política e a fria indiferença pelas populações, sobretudo as do interior abandonado e esquecido.

Décadas de negligência política relativamente aos incêndios, uma questão prioritária de segurança nacional, das populações e do território. E que reflecte inoperância, ineficácia e incompetência estatal na protecção civil, na administração interna, na justiça, na agricultura e no ambiente.

Como se pode viver num país onde se perdeu completamente a confiança nas instituições-chave?

 

As populações estão entregues a si próprias e à sua capacidade de sobrevivência através da colaboração comunitária e do "voluntarismo excessivo".

O único consolo que nos resta é vermos como as populações são infinitamente melhores do que os gestores políticos que as representam. Revelam uma dignidade, generosidade, resistência, eficácia, que estamos longe de encontrar nas elites nacionais.

 

Partidos políticos como o PS, PSD e CDS, que se foram revezando no poder e revelando a sua cultura de base, têm de ser fortemente penalizados nas eleições autárquicas. É o primeiro sinal vermelho que precisam de ver à frente dos olhos.

Um mês depois da tragédia, sem qualquer sensibilidade ou empatia, já iniciaram o circo da propaganda eleitoral, o governo PS querendo compensar a negligência com o sucesso económico, o PSD e o CDS criticando o governo quando também falharam na mesma gestão.

 

Aqui prometi analisar de perto estas autárquicas e os candidatos, sobretudo os do interior, abandonado pelos serviços estatais e massacrado pelos incêndios.

 

 

publicado às 12:29


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